Exonerações na Corregedoria mostram: PMERJ prefere varrer sujeira para de baixo do tapete

Equipe que havia prendido 62 policiais militares corruptos no Rio, em 3 meses é exonerada por comando da PM. O lema é Corregedoria boa é aquela que pune por atraso, por falta ao serviço e outras indisciplinas; mas aquela que prende policial-criminoso, já está passando dos limites, principalmente, quando as investigações possam chegar aos próprios comandantes.

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Murilo Benício como capitão Wilson em Força-Tarefa

Entre 2009 e 2011, um dos meus programas preferidos, era assistir toda terça-feira, a saga do capitão Wilson na série de TV: “Força-Terfa” da Globo. Personagem de Murilo Benício, ele retrata um policial com vida pessoal destroçada, alcoólatra, sem tempo para família, ele encarna uma das funções mais mal vistas no meio policial: caçador de policial corrupto.

Nem todas as Corregedorias de polícia militar do país tem as seções ou delegacias de Polícia Judiciária Militar (ou Disciplinar) funcionando com investigações e prisões de policiais criminosos. Algumas que tem, parece que preferem apenas fingir que tem. Ao que tudo indica, no Rio de Janeiro, é assim que o comandante-geral quer que fique.

Pelo menos foi o que ficou evidente, na avaliação de Nicolás Satriano do G1 Rio. O que ficou parecendo, na verdade, que o melhor a fazer é empurrar o lixo para baixo do tapete. Depois de denúncias feitas pelo próprio ministro da Justiça, seria de se esperar que uma instituição séria quisesse fazer uma limpeza, tirar de si o que não presta.

Mas na PMERJ, quando se trata de interesses políticos e “estratégicos”, parace que a lógica contraria o que é o correto. Porque gente boa, capaz e com vontade de fazer tem! Se eles tem capitães Wilson, feito o da série Força-Tarefa? Tem, sim.

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Capitão Wilson (Murilo Benício) à esquerda; Coronel Caetano (Milton Gonçalves) à direita.

E essa equipe que na TV era do coronel Caetano, personagem de Milton Gonçalves; na vida real era a equipe do coronel Wanderby Braga de Medeiros mais outros alguns oficiais (pelo menos seis majores). Lógico que os personagens da ficção quando são “mocinhos” são perfeitos. Na vida real, esses agentes da lei podem lá ter seus problemas, mas o que se sabe que essa equipe recentemente exonerada, havia prendido 62 policiais em apenas 3 meses; enquanto em boa parte na gestão de Welste da Silva Medeiros, apenas 9 haviam sido presos. A mensagem foi clara, em linguagem militar seria: “meu filho, tá pensando que vai mudar o mundo é?”; “antes de você chegar na gente, a gente dá um fim em vocês”.

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Corregedor que sai: Coronel Wanderby Braga de Medeiros

 

Não é a primeira vez que Wanderby se envolve em questões polêmicas, como foi caso das reivindicações por melhores salários e condições de trabalho em 2008. Ele parece aquele tipo de cara irriquieto que nunca se acostuma com a banda podre do sistema, sempre polêmico e reinvidicador, mantém um blog na blogsfera policial que tem dado dor de cabeça a alguns comandos e governos anteriores.

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Novo Corregedor, ex-cmt do Choque, Coronel Jorge Fernando de Oliveira Pimenta

E agora com o coronel Jorge Fernando de Oliveira Pimenta, como será? Bem, se o novo Corregedor ainda sim vier a investigar com presteza, ele fará, mas só não vai mais ser duro naquelas investigações que recaem sobre os atos feitos em seu próprio comando do Batalhão de Choque, a quem caberia a responsabilidade por alguns atos em apuração na Rocinha.

Corregedorias são complicados, no sentido, que a ordem disciplinar faz com que elas em muitas oportunidades condenem o policial da rua a se submeter a processos desgastantes por coisas pequenas. Mas não estamos falando de faltas disciplinares, estamos falando de “bandidos de farda”, presos por roubo, extorsão, morte por encomenda, comércio de carga roubada, negociação de repasse das armas da Corporação para o crime.

Será que esse tipo de profissional, digo, “cabra safado” merece perdão? Para o coronel Caetano e o capitão Wilson na TV: Não! Para o coronel Wanderby e sua equipe, podendo provar a culpa dos caras: também não. Para o ministro Torquato Jardim: um grande NÃO! E para o comando da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro? Bem, não é que seja sim, mas melhor deixar quieto, não é mesmo? E para você, policial-criminoso merece perdão? Será que ele honra a farda que veste?

Eu acho que NÃO! E pergunto: Será que sem eles, ou com menos deles por aí, o trabalho do policial digno não seria mais bem visto e reconhecido? Com certeza que sim!

 


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Dentro em breve a pesquisa sobre a Natureza histórica e ecológica da Polícia Militar estará disponível nos mais diversos formatos de mídia.


[1] https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/novo-corregedor-da-policia-militar-do-rj-ja-comandou-o-batalhao-de-choque.ghtml

[2] https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/pm-do-rj-exonera-agentes-que-investigam-crimes-de-policiais-militares.ghtml

[3] http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL281819-5606,00-SOBE+PARA+DEZ+O+NUMERO+DE+OFICIAIS+EXONERADOS+NO+RIO.html

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