Opinião, Segurança Universitária

SEGURANÇA UNIVERSITÁRIA ganhará relevância à medida que as Universidades públicas brasileiras tornam-se palco de conflitos

SEGURANÇA UNIVERSITÁRIA ganhará relevância no cenário nacional, à medida que as Universidades brasileiras, em maior medida as públicas, tornar-se-ão o palco primário dos conflitos ideológicos-partidários associados às eleições de 2018.

Vou lhes ocupar com um tema que para mim é deveras preocupante. Por muito tempo vimos um certa ala de polarização ideológica-partidária dominar os discursos e ações de participação comunitária nas Universidades. Mas agora, o polo oposto reaprendeu a dar expressão de voz e ação a sua ideologia.

Trata-se praticamente de uma “guerra” por hegemonia ideológica, com repercussões muito sérias, entre decisões administrativas, convivência comunitária e retaliações com uso de violência física e simbólica.

Preocupa-me o fato de que pessoalmente os membros da Segurança Institucional, bem como da Administração Universitária, tenham preferência por um dos polos e possam em suas atribuições esquecerem de seu compromisso com uma neutralidade devida a importância de sua missão.

Não é brincadeira, a arena primária desse conflito de ideias, pedras e coquetel molotov será (e já é) a Universidade pública brasileira, da qual ela se estende para outros segmentos da vida sociopolítica do país.

Bem, essa minha breve manifestação de opinião se dá pelos fatos ocorridos recentemente na UFPE, UFSC e agora na UFPA (vide links no final do texto). Quando a não aceitação da manifestação intelectual por meio de um evento acadêmico vinculado a um dos polos ideológicos foi intempestivamente suplantado por simpatizantes do polo oposto.

O que ocorreu na Univasf, em 2015, com a morte de uma jovem por seu namorado, em Pertolina-PE e os assaltos no campus da UFPB, em Mamanguape, em 2016, devem ser vistos pela esfera de nossa missão instruída por um plano global de segurança e as políticas se segurança institucional, que contemplem ações de proteção comunitária e defesa institucional, pois é são tipos de evento que independem do momento político (Leia mais sobre aspectos específicos dessa missão).

Mas os outros são de advertência que nossa missão será crucial no desenrolar dos fatos que vão transcorrer daqui até o primeiro ou segundo ano da mandato do próximo presidente da República. Qual seja o resultado dessas eleições [se é que as Forças Armadas concordarão com seu transcurso normal], tornarão a Universidade num caldeirão fervilhante de manifestações dos vitoriosos e dos circunstancialmente derrotados.


[*] Sobre a foto de capa: Imagem veiculada no Jornal do Commercio, sobre conflitos entre universitários na UFPE. (http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2017/10/27/exibicao-de-filme-sobre-olavo-de-carvalho-termina-em-confusao-na-ufpe-313534.php)

[**] Sobre o autor: Wagner Soares de Lima é Mestrando em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (UNEB), especialista em Gestão Pública (UFAL) e graduado em Administração (UFAL) e Segurança Pública (APM/PMAL), capitão da reserva da Polícia Militar de Alagoas. Gestor de Segurança Universitária na UFPE.


Links e Referências:

[1] Acirramento de debates em universidades preocupa professores: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/politica/pernambuco/noticia/2017/11/19/acirramento-de-debates-em-universidades-preocupa-professores-316458.php

[2] Evento na UFPA invadido por jagunços liderados por Prefeito do PSDB: https://esquerdaonline.com.br/2017/11/30/evento-na-ufpa-invadido-por-jaguncos-liderados-por-prefeito-psdb/

[3] Estudantes paralisam aulas após assalto em campus da UFPB: http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2016/08/estudantes-paralisam-aulas-apos-assalto-em-campus-da-ufpb.html

[4] Estudante de Enfermagem é morta a facadas pelo ex-namorado em campus da Univasf: http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/estudante-de-enfermagem-e-morta-a-facadas-pelo-ex-namorado-em-campus-da-univasf/

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