Conjuntura, Opinião

Segurança Universitária precisa englobar em um único esquema duas abordagens diferentes do uso da força e interação comunitária

Pensando na dosagem certa entre proteção comunitária e defesa institucional em Segurança Universitária: abordagens concomitante do uso da força, da inteligência e tecnologia, além da da interação comunitária. Assim como o cenário urbano-metropolitano normal, as cidades universitárias terão que destacar investimentos em segurança. E nesse quesito as Universidades tem o dever de oferecer à Sociedade um exemplo de eficiência e respeito humano, aplicável também nas grandes cidades do país.

Triste notícia mobiliza comunidade acadêmica da UFPB, uma aluna é assaltada no campus IV Mamanguape (agosto de 2016, Litoral Norte do Estado), esse caso se liga à outros, mas posso citar o ocorrido em Petrolina-PE, na UNIVASF, quando uma jovem foi morta por seu namorado, em 2015; ou ainda, o que um servidor é baleado em tentativa de assalto nas imediações da UFPE, no bairro da Várzea, Recife (18.10.2017).

Precisamos urgentemente conceber um cordão severo de Segurança híbrida que se integre a um esquema de Segurança Pública, como um cinturão, numa postura não muito diferente da policial.

Mas internamente temos que reaprender a fazer outra coisa diferente disso. A relação com a Comunidade Acadêmica deve se pautar por outros valores bem diferentes do tipicamente policial. É difícil o que estou falando, eu sei, não é de fácil aplicação, mas precisa dosar os pesos, em um sóbrio uso de soluções para com públicos diferentes.

SAM_2460

[Foto: Amostra de aparato de Segurança Universitária, UFSC em Florianópolis. Ilustrando que assim como o cenário urbano-metropolitano normal, as cidades universitárias terão que destacar investimentos em segurança]

Num mesmo esquema de segurança ter um fração mínima de agentes “para-policiais” (agentes de segurança institucional), sabedores de suas limitações legais e morais, mas que sejam vigorosos, e tão bem equipados como uma “Campus Police” (polícia universitária) norte-americana ou canadense. Adianto, não recomendo essa função sendo executada pela Segurança Privada terceirizada. Dar condições, treinamento, preparo, canais de diálogo com as forças policiais externas, contudo com um rígido controle disciplinar. Pois, infelizmente, tem gente que endoida quando põe uma arma na mão, eu sei disso porque vi isso de perto.

Exemplos de Campus Police:
1. University of Toronto Campus Community Police Service.
2. Havard Univesity Police Departament

Agora a maior parcela da segurança universitária deve ser feita por agentes voltados ao atendimento do cidadão-usuário como cliente de um serviço moderado e inteligente. Discretos, usando inclusive fardamento leve, que se coadune com o espírito universitário. Invariavelmente essa solução discreta perpassa pelo uso de tecnologia.

O que a comunidade acadêmica precisa discutir é: (1) no uso de tecnologias, que instrumentos de gestão participativa vão equilibrar o desejo tendencioso de controle “populacional” em prol de interesses partidários. O uso de tecnologia é inevitável, o que ele precisa é ser constantemente auditado. (2) no formação de aparatos mais contundentes para a proteção do cinturão do campus, esses agentes devem ter uma qualificação específica no tocante ao respeito à dignidade humana e convivência com a diversidade; bem como sua seleção deve excluir sumariamente todo aquele que vem imbuído do espírito guerreiro aguerrido.

Para quem não compreendeu, posso dar um exemplo, em shoppings, algumas empresas de segurança privada fazem num mesmo esquema dois tipos de uso de efetivos: nos estacionamentos uma equipe de águias (com motocicletas) ostensivamente expostos. Mas no ambiente interno, os agentes tema aspecto mais sutil, o que não quer dizer, que por trás da aparência sutil, não estejam ali reservados experiência e vigor no uso de técnicas de baixa letalidade.

Se a comunidade acadêmica e a Administração Universitária concluírem pelo não uso da arma de fogo, o que creio ser um equívoco muito grande, mas ao menos o uso de armas de baixa letalidade e técnicas de defesa pessoal devem ser altamente difundidas. Até porque ao pensar em oferecer segurança para o público, deve-se pensar primeiramente na segurança dos agentes institucionais, que são trabalhadores como qualquer outro. Ou seja, se com ou sem arma de fogo é inadmissível a ausência de colete balístico para essas trabalhadoras e trabalhadores.

=======

[*] Sobre a foto de capa: Centro de controle de videomonitoramento da UFRN: (http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2017/10/27/exibicao-de-filme-sobre-olavo-de-carvalho-termina-em-confusao-na-ufpe-313534.php)

[**] Sobre o autor: Wagner Soares de Lima é Mestrando em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (UNEB), especialista em Gestão Pública (UFAL) e graduado em Administração (UFAL) e Segurança Pública (APM/PMAL), capitão da reserva da Polícia Militar de Alagoas. Gestor de Segurança Universitária na UFPE.

=======

Links e Referências:

[1] Estudantes paralisam aulas após assalto em campus da UFPB: http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2016/08/estudantes-paralisam-aulas-apos-assalto-em-campus-da-ufpb.html

[2] Estudante de Enfermagem é morta a facadas pelo ex-namorado em campus da Univasf: http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/estudante-de-enfermagem-e-morta-a-facadas-pelo-ex-namorado-em-campus-da-univasf/

[3] Servidor é baleado em tentativa de assalto nas imediações da UFPE: http://tvjornal.ne10.uol.com.br/noticia/ultimas/2017/10/20/servidor-e-baleado-em-tentativa-de-assalto-nas-imediacoes-da-ufpe-34701.php

[4] Estudantes e professores reclamam de insegurança em campus da UFPB em Mamanguape https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/estudantes-e-alunos-reclamam-de-inseguranca-em-campus-da-ufpb-em-mamanguape.ghtml

Anúncios