Policiais brasileiros próximos do “game over”

Após receber mais uma notícia de suicídio policial, não pude deixar de escrever…

Acordem policiais, vocês estão sendo submetidos a um clima de doença mental gravíssima.
Seus colegas de farda estão sendo mortos, se matando ou adoecendo severamente.
Alguns simplesmente, desistindo de viver ainda vivos, tornando-se profissionais frustrados.
Eu vi “menino de ouro”, esperança de sua família se tornar assassino e ladrão e ser preso como bode expiatório de um sistema macabro muito maior.

Os únicos que tem aparente vitalidade são os que estão envolvidos com ganhos ilícitos.
E, ainda que você, finja não ver e não se considere nada disso; você faz parte e existe uma ligação profunda que chamamos de cultura organizacional e processos inconscientes. Além do mais, ninguém como você, para entender a questão moral. Se vejo as atrocidades que estão fazendo com a humanidade dos policiais e se vejo o que os policiais estão fazendo nas ruas, então você é um cúmplice, porque de certa forma ganha com isso ou é um covarde.

E não me confundam com o que vocês chamam de esquerdista. Eu não sou um deles. Eu estou lhes avisando antes que vocês percam totalmente o significado da vida. Se eu tiver que tecer comentários sobre o câncer que uma ideologia socio-política pode se tornar, como é o caso do marxismo tratado como dogma, teria que escrever muitas páginas.

Meu assunto não se rebate, dizendo: “você não sabe de nada, nunca viveu isso aqui”. Terei que dizer: vocês sabem que eu conheço. “Você foi um burocrata”, eu diria: verdade também fui, mas fiz tanto serviço de patrulhamento tático urbano e rural que perdi as contas, fiz às vezes de operações especiais e, ainda sem curso, fui caatinga, com orgulho. “Você não conta, porque você é qualquer coisa”. Bem, entre vocês tem muitos outros “quaisquer coisa” também.

Mas se disserem, “você é um filho da puta pacifista”. Ah, isso eu não nego, nunca neguei. Pois então, não sou mais um amante da guerra. Apenas sei que ela se fez necessária à civilização humana; e que ainda insiste em surgir, mas não há necessidade de manter uma operação de guerra ininterrupta. Se você gosta desse tipo de adrenalina, poxa que interessante. Mas para você viver em guerra, precisa que uma fosse declarada. E, no Brasil, não há nenhuma. Mas se você vive em uma, então temos que supor que o que ocorre no Brasil seja uma guerra. E ninguém é submetido há mobilização ativa em uma guerra por 30 anos ininterruptos.

Basta ver as condições em que os veteranos de guerra norte-americanos retornam para clínicas de reabilitação. Porque uma pessoa ao ser submetida a esse “batente” por tanto tempo, certamente fica destroçada por dentro. Tem todo tipo de doença crônica, dos nervos, circulatória, nas costas em toda parte do corpo. Essa pessoa passa a usar tarja preta, pode ser, que para aguentar tudo isso, passe a se viciar em drogas, como válvula de escape. Alguns se refugiam na religião. Alguns pedem para sair, é preciso, porque se não perceberem a tempo. Se o socorro que devia vir da instituição e de seus colegas não chegar a tempo, simplesmente ele perde a vida.

E que guerra é essa, que vocês estão vivendo? Quem contra quem? Os bons contra pessoas más? Não vejo isso, vejo irmãos contra irmãos. Brasileiros contra brasileiros. Jovens adultos do sexo masculino matando outros jovens adultos do sexo masculino. É uma carnificina, é um “machocídio”. A maior mancha de sangue do globo terrestre. São mortos no Brasil muito mais que em todas as atuais guerras pelo mundo.

E em que os policiais estão sendo empregados para que isso amenize? Não estão. Estão, como sempre, sendo postos na linha de frente para matar e morrer mais ainda. Estão enxugando gelo. Estão sendo usados como peões de um jogo sujo. Posso lhes dizer uma coisa sobre esse jogo de xadrez: se vocês não acordarem, estarão com menos de 50 anos de idade, inativos, doentes no corpo e na mente, tratados como imprestáveis. Se é que já  sejam tratados assim, se é que não lhes tirem a previdência diferenciada.

Meus amigos de farda, dirijo-me àqueles para os quais ainda sobrou um pouco de lucidez, por favor, acordem!

Capitão PMAL R/n/R Wagner Soares de Lima

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