Relatório sobre a saúde mental dos policiais de Nova York

Após a onda de suicídios de 2019, bem acima da média anual anterior no Departamento de Polícia da Cidade de Nova York (ou NYPD, na sigla em inglês); o Departamento de Investigação (DOI) da cidade realizou uma apuração sobre os serviços de saúde, bem-estar e proteção aos policiais. O DOI é uma agência policial, que age com os poderes conjugados de uma Corregedoria, Ouvidoria e parte do que os brasileiros estão acostumados a ver sendo feito em conjunto pelo Ministério Público e pelas polícias judiciárias.

Clique aqui para ter acesso ao Relatório original em língua inglesa

Página de publicações da prefeitura de Nova York

O site NewsDay comenta o relatório sobre a saúde mental dos policiais de NY

A taxa de suicídio dos policiais da linha operacional em Nova York, em 2017, foi de
13,8 por 100.000 policiais.

Isso é mais do que o dobro da taxa para a população geral da cidade de Nova York, que foi de
6,7 por 100.000 habitantes em 2016.

Portanto, o estudo (“inquérito”) que apresentamos agora, tem o valor de uma auditoria feita por um órgão de controle municipal sobre uma agência policial metropolitana, aos moldes da procuradoria e/ou controladoria junto a outro órgão. O documento é de setembro de 2019, possui 50 páginas, assinado por diversos funcionários do DOI. Ele está dividido essencialmente em 5 partes:

  1. Resumo/Apresentação
  2. Metodologia do estudo
  3. Introdução
  4. Constatações: do que foi encontrado no NYPD
  5. Recomendações

Na etapa introdutória há algumas considerações relevantes:

Há algumas falas do comissário James O’Neill extraídas da imprensa e redes sociais. No twitter o chefe da polícia nova iorquina diz:

“é uma crise de saúde mental […] e todos os atores responsáveis estão totalmente comprometidos com isso […] Nós precisamos ajudar um aos outros, temos que focar nisso agora”.

Comissário James O’Neill – Chefe da Polícia de Nova York
(Clique aqui para ter acesso à conta do Twitter do comissário O’Neill)

Já num vídeo o comissário teria dito:

“Seu trabalho exige que você gaste seu dia ajudando os outros. Mas antes que você possa cuidar de qualquer outra pessoa, você deve primeiro cuidar de si mesmo”.

Comissário James O’Neill – Chefe da Polícia de Nova York
(Clique aqui para ter acesso ao vídeo)

O relatório da auditoria continua expondo o contexto sobre saúde mental e suicídio dos oficiais de polícia nos Estados Unidos e em Nova York:

Os policiais da polícia de Nova York, assim como outros profissionais, são suscetíveis a estresse, trauma e fadiga relacionados ao trabalho. Isso pode desencadear um ciclo vicioso, onde a fadiga diminui a capacidade do sujeito em lidar com o estresse e o estresse reduz a capacidade de se recuperar da fadiga.

Tais fatores podem “impactar não apenas a saúde e bem-estar de cada funcionário, mas aspectos organizacionais, como produtividade e responsabilidade”. De acordo com o relatório final da Força-Tarefa da gestão Obama sobre o policiamento do século XXI, “o bem-estar e a segurança dos policiais é fundamental não apenas para eles mesmos, seus colegas e suas Corporações, mas também à segurança pública”.

Sob os piores cenários, as pressões do trabalho podem levar ao suicídio. Alguns estudos indicam que quase um em cada quatro policiais pensa em suicídio em algum momento da carreira. Em 2017, 140 policiais em todo o país supostamente tiraram suas próprias vidas – em contraste com os 129 policiais que morreram no cumprimento do dever naquele mesmo ano (em confronto).

Entre 2010 e até a data deste relatório, houve 49 casos de suicídio de membros da polícia de Nova York. Além disso, pelo menos 14 policiais da ativa tentaram suicídio desde 2015. Segundo registros da polícia de Nova York, a taxa de suicídio do pessoal uniformizado da NYPD é de 13,8 por 100.000 policiais, tendo como ano-base: 2017. Isso é mais do que o dobro da taxa para a população geral da cidade de Nova York, que foi de 6,7 por 100.000 habitantes em 2016.

Conforme o apurado pelo Cidadão-SSP em outras fontes, a taxa em 2019, deve ultrapassar a marca de
30 óbitos por 100 mil policiais.

Pelo que foi apurado pelo Blog Cidadão-SSP por outras fontes, a taxa de suicídio policial em Nova York vai ultrapassar a marca de 30 mortes por 100 mil policiais, considerando a contagem de casos noticiados pela imprensa daquele país em relação ao efetivo geral do Departamento. Cabe destacar que é sempre preciso separar, no caso das polícias municipais norte-americanas, o número de policiais juramentados e os números de funcionários civis. Assim como alguns estudos podem separar os policiais “de rua” (uniformizados) daqueles que fazem investigação criminal.

O relatório do Departamento de Investigação conclui com recomendações para o Departamento de Polícia, vejamos algumas:

  • Desenvolver uma política abrangente de Saúde Mental e Bem-Estar que articule metas, estabeleça padrões e descreva programas e recursos relevantes, usando os resultados de sua própria pesquisa recente com oficiais sobre saúde e bem-estar em 2019
  • Aumentar o efetivo de pessoal na Seção de Saúde e Bem-Estar para incluir profissionais de saúde mental licenciados em tempo integral e apoiar a equipe com níveis adequados de competência;
  • A Seção de Saúde e Bem-Estar da NYPD deve ter acesso a dados internos específicos, normalmente reservados à gestão de pessoas e a inteligência;
  • Contratar especialistas externos em saúde mental para revisar e auditar a gama atual de treinamentos de saúde e bem-estar;
  • Estudar a viabilidade de estabelecer verificações periódicas obrigatórias de saúde mental para todos os policiais ou certas categorias de policiais em situação de maior risco;
  • Estabelecer procedimentos escritos claros sobre o pessoal da polícia de Nova York após incidentes críticos e acompanhar, em termos de saúde, esses oficiais após as investigações de caráter administrativo-jurídico;
  • Colaborar com o Grupo Nacional de Diretores de Segurança e Bem-Estar para ajudar a ampliar os esforços novos e existentes para reduzir o suicídio entre policiais em todo país e em NY;
  • Estabelecer um programa obrigatório de qualificação e preparo para lidar com a aposentadoria.

Percebe-se que as orientações são pertinentes inclusive para as polícias brasileiras, lembrando que muitas dessas já realizam parte dessas ações.


Anúncios

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.