Orientações de Medidas para controlar e reduzir os danos nas polícias brasileiras

Medidas para controlar e reduzir os danos na crise do novo coronavírus

Última atualização: 23 mar. 2020, às 01h00min
(Este texto está em construção, verifique, depois, novamente as novas inclusões)

Público-alvo:
Policiais, peritos, bombeiros, agentes socioeducativos, agentes penitenciários e guardas, assim como gestores das instituições. O conteúdo aqui empregado pode também servir para uso entre profissionais de segurança privada, agentes de segurança institucional e militares das forças armadas.

Finalidade deste documento

Mudar repentinamente o foco das ações de toda uma instituição pode ser difícil. Mas se a informação correta chegar em tempo hábil a todos, isso pode fazer muita diferença, quando se trata de emergências que ameaçam fazer muitas vítimas fatais.

Esse é o caso enfrentado pelas nações ocidentais na atual crise gerada pela pandemia da COVID-19. Essas ideias que vamos discorrer aqui são sugestões coletadas com especialista da área de Segurança Pública com a ajuda de alguns profissionais da Saúde.

Algumas são de aplicação geral e qualquer profissional de segurança pode por em prática. Outras são específicas para nível de comando e vão precisar de que pessoas em cargo de gestão sejam rápidas em entender a gravidade e tenham iniciativa de tomar as providências corretas, ao menos dentro de suas circunscrições.

Você pode salvar muitas vidas e diminuir as perdas.



Tabela de Conteúdo

Prepare-se e deixe seu lar pronto para a nova situação
Precauções que vão se tornar rotineiras durante a crise
Ciclo de afastamentos
Equipes especializadas para controle sanitário


I. Prepare-se e deixe seu lar pronto para a nova situação

  1. Primeira coisa, pare, informe-se, reflita. Tome as providências inadiáveis do seu lar, com seus parentes. Faça as reservas de alimento, água e suprimentos necessários para algumas semanas. Saiba o que fazer e quem vai tratar dos idosos da sua família.

    Estando com essas providências mínimas tomadas, agora você precisa se voltar para os assuntos externos, para os de interesse público. Nas idas e vindas ente o trabalho e sua casa, por favor considere seguir as recomendações deste link, as quais vão prevenir que você contamine os da sua casa.
  2. Estamos preparando orientações sobre Saúde Mental, será muito importante que tanto você como aqueles que ficaram na sua casa saibam como agir e que tipo de dificuldades poderão enfrentar.
  3. Iniciativa (proatividade) – A partir do que você se informou, agora é hora de ter ações e mais ideias. O que vamos dizer agora pode soar estranho, mas talvez você precise fazer coisas que ainda não foram determinadas e isso pode parecer desobediência. Sem alarmismo e fazendo isso com cautela e baseado em informação confiável, sua iniciativa pode salvar muitas vidas. Não precisa ir de contra, o que pode ocorrer que sendo você responsável por pessoas e por uma jurisdição seja compelido a tomar decisão e, infelizmente, haja uma lacuna quanto aquele tema e ninguém até agora disse nada sobre ele, até porque é primeira vez que se está tendo que enfrentar tal situação nessas proporções.
  4. Vamos a partir de agora dividir nossas recomendações por tema e cenários possíveis, e de público-alvo.

II. Precauções que vão se tornar rotineiras durante a crise

Público-alvo: Profissionais de Segurança em geral

  1. Evite, de verdade, aglomerações no ambiente de trabalho e onde os profissionais seguem para a atuação.
  2. Não junte profissionais para passar informações, o que se costuma chamar de briefing ou preleção, de grandes grupos de estranhos. Quem já trabalha junto, segue a consideração do item 7.

    Transmita por videochamada, mande áudio por grupos de Whatsapp.
  3. Agora, entenda: as equipes que trabalham juntas, comem juntas, passam horas juntas na viatura ou local de trabalho, e não podem se separar, a partir de agora são consideradas como um bloco só. Devem, portanto, seguir juntas e em caso de suspeita ou afastamento pela doença, é ao grupo inteiro que se deve fazê-lo.
  4. Mas onde pode separar, faça. Exemplo: os Centros de Comando, podem trabalhar com compartimentação e telepresença.
  5. Não convoque reuniões, ofereça um link pelo qual todos possam assistir.

    É possível fazer live pelo Youtube de forma privada, só uma pessoa transmite as outras falam pelo chat. Para saber como fazer live pelo Youtube, clique aqui.

    Um dos melhores aplicativos para isso é o Zoom, ele é pago, mas está com tempo gratuito adicional para esse momento. Pelo Zoom é possível que várias pessoas se vejam e falem entre si. Link para usar o Zoom | Como usar o Zoom
  6. Entenda: “o inimigo agora é outro”. Diminua o foco na ação de polícia criminal de segurança pública. A ordem pública ainda tem mais três linhas de ação: tranquilidade e salubridade pública. Agora as polícias devem ficar de frente para polícia de posturas e agentes da autoridade sanitária.

    Por isso: diminua a necessidade de abordagem policial com revista pessoal. Se o fizer, esteja pronto para arcar com a perda dessa equipe se ela tiver que ser afastada. Em algumas situações muito urgentes isso pode ser necessário. Mas se você comprar a ideia da sessão IV e montar equipes especializadas, a guarnição sem EPI necessário poderá chamar a equipe especializada, aí sim essa última fará a revista.

    (Imagine, quando há ocorrência de revista de mulheres ou uma infração de trânsito. Nesses casos é comum que uma guarnição espere o apoio específico, enquanto isso, apenas contenha a situação, para minimizar o contágio).

    Esse, inclusive, é o momento das Polícias Judiciária assumirem um papel maior na atuação criminal. E os crimes que devem ser também focados são aqueles que incidem diretamente na dinâmica de luta contra a epidemia.

III. Ciclo de afastamentos

Público-alvo: Gestores de profissionais de Segurança, desde o nível de comandantes de Companhia, Unidade, Delegacia e Inspetoria de Guarda. Responsáveis diretos pela área de Saúde e Recursos Humanos.

Vale a pena todos os profissionais lerem para entender a dinâmica

  1. Entenda, numa hora de crise, a segurança tende a um comportamento padrão de “convoca todo mundo!”. Isso é realmente necessário, mas existem fases diferentes e em cada uma se deve ter uma atitude geral diferente para com a tropa.
  2. Você vai precisar de um controle sobre quem está doente, quem está internado, quem está sob suspeita, quem teve contato com pessoa doente (quer seja em casa, quer seja no trabalho). Use uma ferramenta digital, no qual, colaboradores seus possam em tempo real atualizar as informações. Você pode usar o MyMaps ou uma Planilha do Google.
  3. Recurso de gestão às vistas, também ajuda, tipo uma lousa branca na parede. Mas nesse caso, alguém terá que ficar coordenando isso o tempo todo no local do trabalho. Nesse momento o seus funcionários mais qualificados na área administrativa pode ficar em casa, trabalhando pela Internet, evitando que ele seja contaminado.
  4. São basicamente 3 fases:

    E hoje (22.03) já estamos quase perdendo a janela de oportunidade para a 1ª fase.

Fases do ciclo de afastamentos
FaseConduta Geral
1ª FaseContenção da
disseminação
na tropa
Afasta-se todos que tiveram contato com o paciente infectado para evitar a propagação.

Deixa toda a tropa convocada, mas descansando sua folga em casa.

Suspendem-se as férias



Momentos pré-críticos

Decretada a situação de emergência suspendem-se as licenças especiais e convoca-se a reserva (resguardando os idosos)
Preparar-se para enfrentar saques e distúrbios que queiram tumultuar hospitais e furar bloqueios de vias.
2ª FaseDoença
disseminada
na tropa
Se caso chegarmos a isso, não poderemos mais afastar quem é suspeito, apenas quem já está doente. Essa é uma fase crítica, para qual não se devia ter chegado.

Agora não há mais mais jeito, convoca-se novamente os afastados que não apresentaram sinais e estavam distantes apenas por suspeita.

Afastam-se os doentes e limita o contato com aqueles em suspeição.
3ª FaseDoença disseminada e infraestrutra do país em fase críticaReaproveita-se quem já esteve doente e se recuperou para atuar. Atuam em retaguarda até total reabilitação, reabilitados seguem para linha de frente já que estão imunizados, ao menos para essa (cepa) versão atual do vírus.

Parte do que estamos falando sobre afastamentos foi previsto no fluxograma da Brigada Militar do Rio Grande do Sul (link)


IV. Equipes especializadas para controle sanitário

Esta seção tem o áudio correspondente para explicá-lo:

Público-alvo: Todos os líderes de unidades especializadas e quem tem gerência sobre seu emprego.
Vale a pena todos os profissionais lerem para entender a dinâmica
É muito importante que setores responsáveis por despacho, como Centro de Operações, entendam isso para não darem ordens equivocadas de emprego de tropa no campo.

  1. Basicamente são dois tipos de preparo para o emprego operacional:

    a)  Ocorrência em controle sanitário, com contato direto com pessoas doentes e infectadas

    b). Atividades de polícia criminal de segurança pública que podem ou ter contato com pessoas infectadas ou suspeitas (Eles devem fazer, prioritariamente, controle de vias, controle de acesso a prédios, controle de saques, bloqueios etc.)

    Três tipos de guarnições podem ser preparadas:
    I. Especializada, com paramentação completa para atividade de controle sanitário.
    II. Especializada ou Convencional, apenas com máscaras e luvas
    III. E híbridas, principalmente para o Interior, na qual um patrulheiro ou uma dupla usam a paramentação completa.
  2. É preciso que se preparem guarnições especializadas para fazer apenas a demanda da letra a), ou seja, controle sanitário: impor isolamento, levar coercitivamente pessoas à presença do médico, conter pessoas desesperadas e agressivas que sejam ameaça para os demais.
  3. Os primeiros, da equipe especializada, já se base que vão ter contato com o vírus, então não existe porque descuidar, até porque eles devem ser os policiais mais bem treinados se perdermos esse contingente teremos sérios problemas para atuar frente a outros problemas depois.

    Lista de EPI completo: Máscara N95 ou PFF2; Gorro (touca); Pró-pé; Jaleco descartável de manga longa e pulso sanfonado; Óculos de proteção e Luvas de procedimento.

    Segue o link de um vídeo institucional demonstrativo da polícia chinesa, é o grupo de SWAT, mostrando como fazer contenção de um motorista que pretende furar o bloqueio. Perceba diferença entre a atuação dos policiais de time tático e os demais.

    https://www.youtube.com/watch?v=6o6ZzBULLAs&feature=emb_logo

    Segue uma foto que mostra a diferença de paramentação (EPI) usadas, tanto nas forças de segurança da Itália com do Irã

    Na verdade, se estivéssemos preparados eram para ser um contingente maior com a lista de EPI completo.
  4. Eventualmente guarnições paramentadas apenas com luvas e máscaras serão surpreendidos com ocorrências envolvendo pessoas infectadas. Na fase de contenção da doença dentro da tropa, esses que tiveram esse contato sem ser planejado devem ser afastados ou colocados em observação, sem contato com o restante da tropa.

    Sendo solicitadas não por surpresa, mas por chamado de autoridade médica ou popular, devem direcionar a demanda para a Central de Operações
  5. Capitais e grandes cidades podem ter equipes especializadas de efetivo tais como Operações Especiais e Patrulhamento Tático Urbano, com a paramentação completa, se possível distribuídos geograficamente, a serviço de um comando de despacho unificado

    Se possível deve-se separar fisicamente esses do controle sanitário dos policiais da tropa especializada que não estão nessa missão.
  6.  No Interior, nas cidades menores, a ideia é que ao invés de guarnição inteira paramentada, pode dispor o material completo para um integrante ou uma dupla, os quais são levados nas ocorrências de controle sanitário.

Esta Seção IV teve contribuições muito essenciais, queremos agradecer a:
Hilderim – capitão da PMBA (Contribuiu com o item sobre equipes especializadas do Interior).

Vídeos e fotos do item 17


Considere ler com atenção os Procedimentos Operacionais Padrão (POP) publicados pelas Forças de Segurança brasileiras, aqui neste link.


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Créditos
Alguns colaboradores participaram direta e indiretamente dessa produção, alguns se identificaram, segue a lista:

Patricia Soares de Lima – capitã da PMAL e acadêmica de Medicina
Wagner Soares de Lima – membro da Segurança Universitária UFPE, capitão da reserva PMAL
Hilderim – capitão da PMBA
José Humberto Filho – soldado da PMAL e mestre em Sociologia

Você também pode colaborar, envie sugestões, correções: cidadaossp@gmail.com


CidadãoSSP | www.cidadaossp.com

Direitos autorais sob licença Creative Commons BY-SA
Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-SA 4.0)

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