Psicologia Arquetípica dos Guerreiros: porque policiais e militares pensam de forma diferente?

Wagner Soares comenta sua pesquisa: “Polícia Militar: História e Ecologia” e as diferentes formas de profissionais de segurança em defesa se colocarem de diante a vida e, sobretudo, a crises. Quais perfis psicológicos tendem a guerra e quais tendem a paz? Diante de uma argumentação da Psicologia Complexa Junguiana, vamos destrinchar os tipos psicológicos regentes do padrão mental de profissionais da segurança.

O espírito guerreiro guarda a chave da assertividade tão necessária para os desafios da sobrevivência da espécie humana, mas também carrega a tendência perversa de corromper a alma e tornar seu portador desprovido de empatia e desejoso pelo sangue das batalhas.

São quando crises como esta, de Saúde Pública chegam que nos damos conta que a exacerbação e o enaltecimento dos perfis mais combativos deixam nossas instituições despreparadas para mudança rápidas de foco de atuação, pois exigem outras percepções de mundo que não sejam a guerra ou a caça a bandidos. Fragilizados demais ficamos sem ação, combativos demais corremos o risco de atacarmos a nós mesmos.


Guerra e Paz

Vamos por na “arena” do debate duas visões: a de Sun Tzu e a de von Clausewitz:

Deves almejar como aquilo que há de mais perfeito, conservar intatos os domínios dos inimigos […] Só deves destruir as cidades inimigas em caso de extrema necessidade”.
Sun Tzu, “A arte da Guerra”, general chinês do século V a.C.


A guerra é, portanto, um ato de força para obrigar o nosso inimigo a fazer a nossa vontade […] para atingir aquele propósito devemos fazer com que o inimigo fique impotente e este é, em tese, o verdadeiro intuito da guerra”.
Carl von Clausewitz, “Da Guerra”, general prussiano do século XIX

Enquanto alguns perfis psicológicos tendem à guerra de aniquilação total do inimigo; outros perfis tendem à proteção social, evitando a todo custo os danos impostos pela guerra. Ambos os perfis coexistem na mesma instituição; ambos coexistem dentro da mesma pessoa.

É Carl Gustav Jung que irá nos conduzir nessa jornada de reflexão:

“Nós precisamos de um entendimento maior da natureza humana, porque o único perigo real existente é o próprio homem […] Sua psique deveria ser estudada, pois somos a origem de todo o mal vindouro ”
Jung, 1959, BBC


Domesticação do lobo

Nessa Live do Canal CidadãoSSP, foi analisada a “Psicologia Arquetípica dos Guerreiros”. Mediante as bases da Psicologia Junguiana, são comentados os perfis psicológicos mais próximos à definição de guerra do general chinês Sun Tzu; outros perfis tendem à aniquilação total do inimigo, pela definição originária do general prussiano Clausewitz.

O estudo está mais direcionado às polícias militares brasileiras, mas se aplica a todos aqueles que compõem a “casta bioantropológica dos guerreiros”. Fazemos uma ponte com os diálogos entre Sigmund Freud e Albert Einstein e percebemos que assim como o ser humano domesticou o lobo, diferenciando até produzir uma nova espécie o cão doméstico; o próprio processo civilizatório humano está domesticando a maioria dos indivíduos de nossa espécie.

Concluímos que não é salutar para a espécie humana perder totalmente seu acervo profundo de elementos de assertividade e vigor. Porém, é preciso ampliar as políticas institucionais de gestão por competências, para evitar que um único perfil psicológico, neste caso, o mais combativo, domine a Corporação.

Portanto, apostar apenas nos combatentes, infantes ou operacionais não é uma grave falha administrativa, coisa essa que foi alertada a vários comandos de polícia militar por parte de integrantes do Exército Brasileiro, na década de 1990. Segundo Robert Katz, a posição vertical dentro da empresa define uma maior centralidade em temas técnicos ou uma amplitude de visão suficiente para, mesmo originalmente sendo de um segmento ou “arma”, conseguir entender todo o funcionamento da instituição.


Live

Live | 13.04.2020 – Segunda – 20h

Psicologia Arquetípica dos Guerreiros: Porque policiais e militares pensam de forma  diferente? Quais as implicações sociais e emocionais?

Link da live e da postagem: https://bit.ly/psicologia-guerreira


Referências

[1] TZU, Sun. A arte da guerra. [Trad.:Sueli Barros Cassal]. Porto Alegre: L&PM, 2006.

[2] CLAUSEWITZ, Carl P. G. von. Da Guerra. [Tradução para o inglês MICHAEL HOWARD e PETER PARET; Tradução do inglês para o português Luiz Carlos Nascimento e Silva do Valle] Edição em língua inglesa de 1984.

[3] JUNG, Carl G. Face to face interviews Carl Gustav Jung: depoimento. [Audiovisual]. Entrevista concedida a John Freeman, da BBC, em 22 de out. de 1959. Programa produzido por Hugh Burnett.  Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=G2vGvPF1GME&gt;.

[4] Lima, Wagner S. A natureza da Polícia Militar: história e ecologia. Dissertação (Mestrado em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental) – Universidade do Estado da Bahia. Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais. PPGECOH . Juazeiro-BA: UNEB, 2017.

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